Uma obra forte, de impactos extremos por abordar um tema delicado e presente em nossa sociedade. A cegueira é discutida, não apenas no estado físico, mas na dimensão política, social, econômica e espiritual.
Iniciamente, a cegueira física é a mais evidente, que surge através de uma epidemia com sintomas inexplicáveis, que atinge a um grupo de pessoas. Uma cegueira traz a outra até se chegar ao estado de "barbárie". Em nossa sociedade somo impulsionados voluntária e involuntáriamente a nos portar como cegos. Nossa cultura valoriza os desejos, os sonhos, projetos de vida, interesses que tantos nos levam ao trabalho coletivo e integrado quanto para o individualismo.
Dia após dia inferiorizamos classes populares, raças, opções sexuais, culturas, tudo para preservar o poderio que, de forma obstinada, punimos a quem ousar destruir. Vivemos forte tendência ao machismo e ao mimetismo. Em determinados momentos, andamos com que cegos atrás de ideologias que acreditamos ser verdadeiras, ignorando a visão coletiva, da necessidade do próximo que também poderá ser a nossa. Não vemos esperança nos sonhos de vida social, igualitária e justa, o que muitas vezes condicona pessoas com visões holísticas natas a uma carga muito pesado e sofrido e que, determinadamente, clama sua voz no desero ou na cegueira voluntaria e optativa da massa alienada.
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